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De transporte de cargas a estádio da Copa do mundo: contêineres transitam por diversos setores da economia

nov, 18, 2022
De transporte de cargas a estádio da Copa do mundo: contêineres transitam por diversos setores da economia

A Copa do Mundo de 2022 começa com uma grande novidade: um estádio inteiramente construído de contêineres, o Estádio 974. Criado para facilitar a logística e proteger as cargas transportadas, o contêiner ganhou, ao longo do tempo, outras utilidades, seja na construção civil, no comércio ou na arte. Sua versatilidade permite que ele transite por vários setores da economia, além do comércio exterior.

Contêineres na Copa do Mundo do Catar

Localizado na cidade de Doha, o Estádio 974 tem um conceito arquitetônico diferenciado, encomendado pelos organizadores da Copa do Catar ao escritório Fenwick Iribarren Architects.

O plano era evitar que o estádio para 40 mil pessoas se transformasse em um elefante branco após a Copa. O modelo criado permite que a estrutura da qual 974 contêineres fazem parte —  vem daí o nome do estádio, que também é uma referência ao código telefônico do Catar— poderá ser completamente desfeita após a Copa.

O local será palco do jogo da Seleção com a Suíça, no dia 28 de novembro, às 13h, pela segunda rodada da fase de grupos.

O curioso é que após a Copa do Mundo, o estádio pode ser instalado em outro país ou até virar uma arena para 20 mil ou 30 mil torcedores no próprio Catar.

Os corredores dos anéis do estádio, aqueles atrás das arquibancadas, são todos de contêineres e não há uma regularidade entre as paredes.

Um outro ponto é que os ambientes foram padronizados de acordo com a cor do contêiner. Por exemplo, os amarelos são banheiros, enquanto os verdes, ambulatórios. As informações sobre a numeração dos assentos estão todas pintadas em contêineres, fazendo referências a um navio.

De acordo com o diretor do estádio, Mohamed Al Atwaan, foram utilizadas 30 mil toneladas de aço na construção. Segundo ele, o 974 será utilizado até as oitavas de final. Os contêineres são fáceis de transportar e foram fabricados especificamente para serem utilizados no estádio.

Apesar de ser o único estádio sem climatização artificial nas arquibancadas, o 974 é todo climatizado internamente e conta com ventiladores gigantes.

Contêiner como moradia

Antes do uso dos contêineres para a construção de estádios, o unitizador já é usado há tempos como moradia. Uma das principais vantagens, nesse caso, é a rapidez de construção, já que as estruturas em contêineres levam entre 60 a 90 dias para serem finalizadas, enquanto que uma casa tradicional leva em torno de 5 a 8 meses. A utilização de contêineres também facilita o trabalho de terraplanagem e torna a obra mais sustentável.

Outros usos possíveis são como sanitários em eventos e canteiros de obra, proporcionando mais conforto que os banheiros químicos, estandes em eventos, lojas e restaurantes itinerantes e até como composição de obras de arte, como vem ocorrendo ao redor do mundo.

Um pouco de história

Os contêineres foram uma invenção do americano Malcom MCLean, dono de uma pequena firma de caminhões que, em 1937, ao assistir ao carregamento de fardos de algodão em um navio, pensou em criar caixas de aço que pudessem ser transportadas do início até o final do processo.

Antes disso, para facilitar o transporte, os produtos eram acondicionados em barris, tonéis ou caixotes, todos feitos de madeira. Não existia palete, caixas de papelão ou empilhadeiras. Os barris precisavam ser carregados a mão. Algumas regiões começaram a ter estruturas de roldanas para ajudar, mas o serviço exigia muita mão de obra.

Outro problema resolvido com os contêineres foi em relação à perda de produtos, já que antes, o acondicionamento de carga inadequado causava prejuízos e desvios de mercadorias, além dos altos custos de movimentação, como carga e descarga. Na época, o custo de carga e descarga nos navios representava cerca de 50% do custo total de transporte de um produto.

Pode-se dizer que a invenção do contêiner revolucionou o comércio exterior, já que agilizou o transporte de mercadorias entre os países, pois facilitou o carregamento/descarregamento, contribuiu para reduzir avarias e possibilitou o transporte de diversos tipos de mercadorias diferentes em um mesmo navio.

Principais características dos contêineres

Os primeiros contêineres, criados por Malcom McLean, mediam 33 pés (um pé – sistema de medida utilizado no Reino Unido, nos Estados Unidos e, com menor frequência no Canadá – é o equivalente a 12 polegadas).

Atualmente, os contêineres foram padronizados para 40 e 20 pés. É o contêiner de 20 pés o utilizado como unidade de medida (TEU, unidade equivalente a 20 pés).

A principal diferença entre um contêiner de 20 e um de 40 pés está no seu comprimento. Enquanto um contêiner de 20 pés tem um comprimento interno de 5,9 metros, o contêiner de 40 pés atinge 12 metros.

O gráfico abaixo, elaborado a partir de dados do DataLiner, ferramenta de inteligência de mercado da Datamar, traz a movimentação de contêineres no Brasil nos últimos três anos:

Movimentação Brasileira de Contêineres | Jan 2020 a Set 2022 | TEU

De transporte de cargas a estádio da Copa do mundo: contêineres transitam por diversos setores da economia

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Confira a seguir as características dos principais modelos de contêiner disponíveis atualmente. Há ainda outros modelos, para diferentes necessidades:

Contêiner dry de 20 pés: utilizado para cargas secas, o contêiner de 20 pés tem medidas internas de 5,900 m de comprimento X 2,350 m de largura X 2,393 m de altura, com capacidade cúbica de 33,2 m. Suporta até  24.000 kg.

Contêiner dry de 40 pés: também utilizado para cargas secas, é maior que o de 20 pés. Sua medida interna é de 12,032 m de comprimento X 2,350 m de largura X 2,392 m de altura, com capacidade cúbica de 67,7 m. Tem capacidade máxima de 26.930 kg.

Contêiner high cube de 40 pés: Indicado para realizar o transporte de grandes quantidades de mercadorias também é útil para o carregamento de projetos customizados, devido a sua altura e largura diferenciadas. Suas medidas internas são de 12,032 mm de comprimento X 2,352 m de largura X 2,698 m de altura, com capacidade cúbica de 76 m. Suporta até 26.330 kg.

Contêiner tanque: utilizado para o transporte de produtos químicos, altamente corrosivos e cargas em ácido. É revestido na sua parte interna e possui as seguintes dimensões internas: 5,717 m de comprimento X 2,267 m de largura X 2,117 m de altura. Tem capacidade máxima de 24.000 kg e 27,4m³.

Contêineres reefer de 20 e 40 pés: ideais para cargas que requerem temperaturas constantes abaixo de zero ou até mesmo cargas que precisam de controle de temperatura, como carnes e frutas. O modelo de 20 pés tem medidas internas de 5,444 m de comprimento X 2,294 m de largura X 2,276 m de altura, com capacidade cúbica de 28,4 m. A capacidade máxima é de 22.360 kg.

Já o modelo de 40 pés mede internamente 11,561 m de comprimento X 2,268 mm de largura X 2,249 mm de altura e capacidade cúbica de 59,3 m. Suporta até 26.000 kg.

Carga fria

O contêiner reefer merece uma atenção especial porque é por ele que sai grande parte da exportação brasileira. Nos últimos anos, o país se destacou como um importante fornecedor internacional de proteína animal e o contêiner reefer foi fundamental para garantir que os produtos exportados chegassem com qualidade a seu destino final.

Além desse aumento da demanda por contêiner refrigerado, no auge da pandemia da Covid-19, a logística marítima global desorganizada levou a uma escassez desse tipo de contêiner, que passou a ser disputadíssimo. Sua falta afetou, de forma significativa, os exportadores.

Somando-se a isso, há um desbalanceamento entre as exportações brasileiras via contêineres reefer vs importações. Para suprir essa demanda, algumas ações foram adotadas. Uma delas é a utilização de contêineres reefer desligados para importação de cargas secas, conhecido como NOR (“Non-Operating Reefer), já que o transporte de contêineres vazios dentro dos navios gera alto custo logístico e impacta diretamente no frete. Outra alternativa foi a utilização de navios tramp refrigerados em alguns casos.

Nos últimos anos, os armadores também fizeram investimentos em contêineres refrigerados para aumentar sua frota.

Confira abaixo a movimentação de contêineres reefer no Brasil nos últimos três anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Movimentação Brasileira de Contêineres Reefer | Jan 2020 a Set 2022 | TEU

 

De transporte de cargas a estádio da Copa do mundo: contêineres transitam por diversos setores da economia

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

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